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Escola, Rotina e Literatura

September 25, 2018

 

As escolas, cujos ambientes são reconhecidamente ambientes de rotinas, produzem repetições de modelos de atividades, por conseguinte rechaçam, muitas vezes, e quase sem o perceber, toda e qualquer oportunidade da descoberta ou da espontânea e intransferível motivação de pensar e registrar a informação que o mundo oferta, envolvendo um variado repertório de encontros sensíveis, fortuitos ou não.

 

A discussão mais apropriada para estabelecer caminhos ao trabalho pedagógico é saber se a escola se norteia pela inovação e singularidade ou se, por outro lado, ela é apenas um espaço/tempo de reprodução e manutenção de rotinas.

 

Neste momento a reflexão tem como foco o indivíduo que por ali se insere, ou seja, o estudante, dotado de uma originalidade inescapavelmente única, embora com traquejos construídos pela cultura que o reconhece, e consequentemente, ali o faz pertencente, identificando-o, também, no contexto coletivo.

 

O desafio da escola, entre tantos, é encontrar uma saída à força constrangedora do ponteiro inflexível do tempo construído socialmente, e que podemos denominar como rotina.

 

É tarefa de toda escola a promoção de um esforço de discussão que compreenda a inexorabilidade do tempo, mas ao fazê-lo, carece de remetê-lo à sua condição, qual seja, a de reger os ciclos da natureza, os dias e as noites, as etapas sucessivas da experiência, mas nunca torná-lo sujeito do processo, entendendo e compreendendo que ele, o tempo, é um dos grandes atores do texto da vida, contracenando no espaço, na ocupação de ser proscênio do espetáculo, tendo como protagonistas da narrativa, a criatividade, o conhecimento e o afeto.

 

Apesar da rotina estar no contexto escolar, ele é muito mais...

 

À escola cabe a tarefa, portanto, de fugir do império da rotina, encontrando, no contexto das suas múltiplas ocupações, o seu devido lugar. Não se quer aqui repudiar a rotina, muito pelo contrário, mas é preciso localizá-la na importância dos seus efeitos pedagógicos sem, no entanto, cair na armadilha de transformá-la em objeto maior do fato da escola existir.

 

 

A escola é o lugar onde o protagonismo do afeto, do conhecimento e da criatividade se encontra, articulando o espaço da cultura que não é fruto da rotina, ainda que se forjem elementos para o estabelecimento de uma concepção derivada de um modelo padronizado de comportamento social, geralmente dado como o pronunciamento das regras econômicas de suposto sucesso e ascensão social.

 

A escola deve ser o espaço consagrado à arte, à troca das narrativas, ao afeto e ao conhecimento, sendo este ferramenta importante à melhor articulação do pensamento enquanto um patrimônio pessoal ou coletivo, mas sempre crítico e ou contemplativo.

 

A rotina, aqui, entra como elemento de proscênio, ou mesmo o próprio proscênio, pois estabelece o momento da escola fazer o seu trabalho, embora jamais possa ser o fim em si, ou seja, a rotina como finalidade. É preciso compreender, portanto, a rotina como limite de possibilidades naturais, fazendo-a uso da racionalidade e não como algo a priori, intocável e irremediavelmente consolidado por uma realidade posta, pois a potência da capacidade humana ultrapassa as fronteiras do que já está dado.

Um bom exemplo à ampliação da fronteira que a rotina tenta contingenciar é oferecido pela literatura infantil e suas diferentes e variadas possibilidades de narrativas. Enquanto o corpo, o espaço e o tempo são ingredientes fundamentais à rotina, o pensamento e o sentimento a subverte. E a literatura pulveriza uma profusão de caminhos que o pensamento e o sentimento se ocupam, despertando hipóteses que podemos chamar de criatividade, alterando representativamente as convenções do corpo, do tempo e do espaço, desvirtuando o lugar comum e produzindo potencialmente soluções aprazíveis, como um ensaio original, sobretudo por se tratar, exclusivamente, de uma experiência pessoal intransferível, embora exteriorizável.

 

 

 

 

 

 

 

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