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  • José Ricardo Rodrigues

O Problema é Voltar à Mesma Coisa


A pandemia trouxe variadas inquietações à vida, não se detendo apenas aos cuidados e precauções com a saúde, produzindo, também, expectativa e tensão ao provável derretimento da economia. Houve mais consenso sobre o estrago dos impactos nas duas áreas do que possíveis soluções viáveis num contexto de afinação dos discursos.

Nas Escolas...

A respeito da volta às aulas, o debate concentra-se mais sobre a logística e o arrumamento espacial dos estudantes do que nas conclusões tiradas do período de confinamento tendo nas "aulas virtuais" a maior ou menor avaliação do seu efeito didático. As vozes se enunciam dos dois lados. Uma corrente aprova e, mediante os ajustes que foram feitos ao longo do processo, passa a ideia de que o resultado foi positivo. O outro grupo, que critica a alternativa escolhida através da utilização dos recursos tecnológicos, considera que a estratégia nada mais foi que um arremedo, muito próximo ao jargão "coisa pra inglês ver".

Escolher uma das duas avaliações não define bem o que vem acontecendo. Nem tudo está perdido, sobretudo quando o aprendizado na interface do uso das ferramentas oferecidas à infância, principalmente, acabou por fazê-la descobrir que existem outras coisas acontecendo neste universo, além dos joguinhos.

O anseio de voltar às aulas, com o devido cuidado de não se estar refém aos apelos econômicos, especialmente explicitados pelo desespero da escola privada sobreviver, encontra-se mais saudavelmente justificado pelo inescapável reconhecimento de que Educação se faz pela presença do outro.

Sobre a Educação que vislumbramos

Todavia há que se avaliar qual o projeto educacional que se empreendia nas escolas antes do confinamento social. Havia de fato a valorização do outro ou se trabalhava com a ordenação do ajuntamento dos estudantes para a realização do conteúdo programático? A presença do outro era considerada como um elemento básico para que o projeto pedagógico existisse e pudesse, efetivamente, acontecer, ou o fato das crianças estarem separadas por faixa etária impunha uma divisão que evitava a exuberância da diversidade presencial para que pudesse ser cumprido os objetivos das referidas séries de aprendizagem? Será que a escola tinha a sabedoria de perceber a preciosidade de ter em mãos o caráter presencial e nunca enxergou a dimensão pedagógica desta realidade? Será que a escola, durante todos esses anos, tentou ensinar o voo ao pássaro mantendo-o na gaiola? Será?

A extensão das dúvidas não acaba aqui. Podemos desconfiar que temos alguma certeza, nem que seja a de que a volta da presença dos corpos e mentes possa trazer um “fazer diferente”. O importante, para começar, talvez seja emprestar uma certa dose de tempo ao pensamento de que a valorização da presença do outro é o que singulariza o fato da escola ser escola. A reflexão sobre o retorno é inadiável, pois simplesmente voltar a fazer o mesmo vai dar a desconfortável sensação de que, diante de todas as inumeráveis dificuldades, não aprendemos quase nada.

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